Hoje sai de casa bem disposta rumo ao incerto para mais um passeio pelas ruas de Paris. Como sempre não tinha planos, ia seguir o meu instinto...
Ao sair do portão da Cidade Universitária ouço gritos, vejo um carro parado no meio da estrada, vejo dois homens tirarem uma senhora do carro, ouço uma rapariga a gritar, vejo o senhor mais velho abanar a senhora; atravessei a estrada para ver se era preciso telefonar para o 112, a filha já estava a telefonar, o homem continuava a abanar a mulher e a gritar para ela abrir a boca, eu estava sem reacção (fiz um curso de primeiros socorros há muito tempo e aprendi o que fazer mas nem conseguia pensar nisso), a filha lá conseguiu falar com os bombeiros e explicar que a mae era epileptica a meio do telefonema olhou para mim e deve ter percebido que eu tinha lágrimas nos olhos... Não conhecia a senhora de lado nenhum, mas a verdade é que a cena me impressionou bastante... Podia ter ficado à espera, mas não quis... ficar só me faria chorar, por isso continuei o meu caminho a pensar na nossa fragilidade e na morte. A morte assusta-me; não tenho medo de morrer mas tenho medo de perder os que amo. E foi nisso que pensei quando vi a senhora inconsciente...
Durante o resto da tarde consegui abstrair-me do sucedido... Acabei por ir parar a Bastilha e a zona de Marais onde vi ruas, casas e igrejas muito giras...
E ao deambular pelas ruas perdida nos meus pensamento apercebi-me (ainda em relação ao meu ex) que não posso sentir falta de algo que nunca tive, porque a verdade é que ele nunca foi totalmente meu...
Depois do passeio passei pelo supermercado e vim para casa ler o meu livro sobre a Marie Curie, mas a imagem da senhora e a nossa impotência perante a morte não me sai da cabeça...


2 comments:
nunca estive envolvida em nenhuma situação dessas, mas acho que seria como tu, não me sairia da cabeça :(
:( não gostei da situação
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