Tuesday, 14 December 2010

Experiência Paris

Hoje estava a fazer tempo que o meu PCR acabasse, fui a casa de banho e passei por um lab onde estava a única estudante de doutoramento do meu corredor/unidade, decidi meter conversa com ela...
A certa altura ela diz "ah sabes temos um novo pos-doc, por falar nisso foi fácil para ti encontrares pessoas? E que sabes nós franceses podemos ser pouco calorosos"
A sério?!! Quando eu decidi vir para Paris eu sabia que não ia ser um Banyuls II, ou um Roscoff II, essas experiências foram únicas, aconteceram no momento certo com as pessoas certas, era impossível voltar a sentir o que senti, mas tinha esperança... Esperança apesar de saber que vinha para uma cidade grande, esperança apesar de já vir numa idade em que as coisas se tornam complicadas...
Cheguei e aos poucos a esperança morreu... O ser conhecida e acarinhada por toda a gente no departamento em Aveiro deu lugar a ser só mais uma numa grande universidade. Como já aqui disse um dia não conheço pessoas de outros andares, quanto mais de outros edificios. Conheço as pessoas do quarto andar do edificio A e é tudo, só muito recentemente sai com alguns para tomar um copo. Mesmo a minha experiência de Cardiff tinha sido melhor, apesar de muitas vezes recusar (porque estava a trabalhar) todas as sextas-feiras era convidada para ir ao pub. Aqui cada um faz a sua ida ao pub...
Acho que estar só no meio de franceses não ajuda. Em todo o corredor havia até há pouco tempo só outro pos-doc estrangeiro, depois chegou outra portuguesa (o que veio animar as coisas), os franceses tem a vida deles e não se interessam (bem interessar interessam mas não entremos por aí) na dos outros...
Eu gosto da cidade, mas a verdade é que agradeço dar-me tão bem com a solidão porque senão teria um grave problema.
Mas eu sei que no meio da solidão tenho amigos (alguns a umas portas da minha porta) e outros à distancia de um telefonema ou de um clique. E são esses amigos que me dão força para enfrentar esta experiência...

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